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segunda-feira, 17 de dezembro de 2012
quarta-feira, 15 de junho de 2011
Psicopata: o doente do século 21 - Caso Alcides
Por Arnaldo Jabor
Em Recife, felizmente, foi condenado uma rapaz que tinha matado o pobre Alcides Nascimento, que era um menino de origem humilde, mas um prodígio de estudante esforçado e que estava se formando em Biomedicina.
Mata-se por amor, mata-se por ideologias, mata-se por Alah. Mas no Brasil surgiu um novo tipo de assassino: aquele que mata sem motivo. Os novos assassinos são produzidos por nossa cultura violenta, com competição brutal, com homens perdidos num cotidiano incompreensível. A compaixão hoje é vista como perda de tempo ou de lucro.
O psicopata é o doente do século 21, ele não sente culpa, não há o outro para ele, só ele existe em sua total solidão. O psicopata rico está em toda parte, em bares, em bancos, em cargos políticos altos. Ele mata ou engana para vencer na vida. Já o psicopata pobre mata nas vítimas o próprio destino vazio, perdido no nada do país, cercado de morte por todos os lados, no noticiário, nas imagens de massacres...ele mata para preencher este nada.
O assassinato é um ato excitante traz a sensação de algo ter acontecido. Esse criminoso já tinha matado por causa de uma camisa no carnaval do Recife, foi preso e nossa doce justiça deu-lhe regime semi-aberto. Ele fugiu, claro, para matar esse pobre menino. A lei penal é arcaica porque o crime é mutante, livre e a justiça é aprisionada em códigos lentos e velhos. Essa tragédia aconteceu porque o assassino não achou quem ele ia matar e disse: “vou deixar alguém estirado aí no chão, o primeiro que aparecer para não perder a viagem”.
Que tal?
terça-feira, 7 de junho de 2011
Jornalismo cultural precisa denunciar porcarias enviadas ao Brasil
Por Arnaldo Jabor
Amigos ouvintes,existem alguns assuntos que eu falo aqui que provocam ódio,ranger de dentes e ataques violentos a mim.É!São eles:Religião,Partidos Políticos e,pasmém,Filmes.Você pode dizer barbaridades sobre tudo, mas se esculachar um filme pode contar que no dia seguinte dezenas de pessoas que gostaram do filme já ficam com ódio na hora.
Ontem eu falei de um atentado a inteligência humana que tá passando aqui no país chamado "Se Beber Não Case 2".Falei e repito que o filme é um lixo.Não é que o filme seja apenas ruim, filme ruim existe,tudo bem,faz parte.Mas esse é um dos exemplares de filmes que a nova sordidez de Hollywood está produzindo na base do "quanto pior,melhor".
O cinema internacional descobriu que filmes para idiotas dão muita grana porque os idiotas crescem a cada ano,claro,principalmente vendo os filmes que estimulam a sua estupidez.
Para quê eu fui falar desse filme.Recebi e-mails e twetts indignados enviados por imbecis que adoram ficar drogados durante duas horas para ver porcarias.E o interessante é que porcaria provoca uma espécie de felicidade na platéia,que começa a rir bossalmente do filme e acha que está rindo com o filme.É uma associação de burrices no escuro.
Muito bem.Falei isso porque acho que também o jornalismo cultural tem a obrigação de sair de cima do muro e começar a denunciar abaxis horrendos que chegam aqui.Acontece que a idéia contemporânea de que tudo que é produzido pode ser consumido.Acontece que numa crise de parâmetros as pessoas acham que tudo vale a pena e os jornalistas ficam intimidados em condenar,como se condenar fosse digamos,antidemocrático,conservadorismo,censura cultural.
Mas não é.Há de condenar sim as porcarias que nos enviam,que vão modificando a mente.E não é só condenar,há de elogiar filmes que merecem.Por exemplo, está em cartaz um filme brasileiro muito bom,chamado "Estamos Juntos",produzido e dirigido por Toni Venturi, que traça uma radiografia interessantíssima de tipos paulistas onde impressiona a excelente interpretação de Leandra Leal,certamente uma das nossas melhores atrizes.O filme mostra o amor mesclado com problemas sociais como os dos sem teto,tragédias ligadas a vida e a morte, naturalmente.
Claro que não devemos propor um nacionalismo ridículo de proteção a filmes brasileiros,é claro que não. mas é chocante na imprensa o desprezo por nossas produções e a dedicação na divulgação incessante de porcarias importadas que cegam os analistas colonizados.
Estamos juntos,o filme de Toni Venturi deve ser visto.O resto do lixo que tá passando ai deve ser evitado.
segunda-feira, 6 de junho de 2011
'Se Beber Não Case 2' é um atentado ao bom gosto
Por Arnaldo Jabor
Hoje,segunda-feira, o assunto é cultura.Ou melhor, incultura.O assunto é cinema.Ou melhor,o anticinema.O assunto é o filme "Se beber não case número 2", que está em cartaz no Brasil e está fazendo sucesso.Salas cheias e sucesso nos Estados Unidos também.Uma das maiores bilheterias.
Vamos direto ao assunto.Esse filme é um lixo.É um atentado a um bom gosto,ao mínimo de descência artística ou de espetáculo, e enche as salas do Brasil e dos Estados Unidos.Eu falo especialmente desse filme porque acho que ele já é uma revolução, é uma mudança para pior das porcarias que estavam sendo feitas.Houve um salto de desqualificação do cinema ultimamente.Esse filme,"Se Beber Não Case", denota essa nova fase do cinema americano, que provoca uma mudança terrível também no cinema mundial.
Esse filme é um sintoma de um caso grave.Existe um processo em curso deliberado pelos produtores de cinema americano para imbecilizar cada vez mais as platéias, de modo que o faturamento seja maior possível com piores produções, piores roteiros sem qualidade alguma, com atores de "quinta".Em suma, a tese é:com nada,ganhar muito.Ou gastam muitos milhões em filmecos de 3D ou gastam muitos milhões com efeitos especiais delirantes, ou então sustentam esses vícios batizados de comédia romântica.
E as platéias estão muito obedientes ao marketing, engolem qualquer porcaria com risadas bossais, com absoluta ausência de criticismo.A única finalidade desses filmes é impedir o pensamento.Aliás, o sujeito vai para o cinema para não pensar, como se tomasse uma droga para passar duas horas abestalhado,onge do mundo real, que vamos combinar também não está para peixe.
Mas o que impressiona muito é que os filmes chamados comerciais, de antigamente, tinham uma dignidade."Cantando na chuva", por exemplo, que é um dos maiores filmes feitos no cinema, era somente para ganhar uma grana. Mas Akton Freed era um produtor genial como foram tantos outros daquela época.Os produtores queriam encher o bolso, claro, mas ainda tinham amor ao cinema,algum amor a arte, a qualidade.
Agora não, agora não existe nem mais diretor para eles, que virou uma espécie de guarda de trânsito de atores:"vem pra cá...vai pra lá...".Os produtores decidem o lixo que querem e o público vai perdendo os parâmetros e aí que mora o perigo. Quanto mais o público aceita as porcarias, mais porcaria é feita. "Oba, se eles gostaram disso, melhor ainda, vamos até gastar menos e piorar.Eles comem qualquer coisa".
A passividade do público aumenta a bossalidade dos filmes.E me impressiona também que os analistas de cultura e cinema no Brasil não denunciam esse atentado a pudor dos nossos olhos. Não. Agora tudo é legal, tudo bem.
Amigo ouvinte, não veja esse filme.Mesmo se beber.
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