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segunda-feira, 16 de dezembro de 2013
domingo, 11 de março de 2012
Marcha das Vadias reúne mulheres em Ponta Negra
Por Tribuna do Norte
A tarde de chuva deste sábado na capital potiguar foi o cenário para mais um protesto. A Marcha das Vadias, realizada em Ponta Negra, levou dezenas de homens e mulheres a protestarem contra a discriminação feminina e pedirem a liberdade delas. Esse foi o segundo ano da Marcha das Vadias na capital potiguar.
"O meu modo de vestir não tem relação com o desejo dos homens, mas com a minha autonomia", afirmou a presidente do Diretório Central dos Estudantes da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Melaine Macedo.
Vestindo roupa transparente preta e empunhando a bandeira da Marcha das Mulheres, Melaine era uma das mais animadas na Marcha das Vadias. Ela citou a estatística de que em 60% dos processos judiciais de estupro os homens argumentam que as mulheres estavam com pouca roupa ou sozinhas a noite. "Isso é uma opção de cada mulher, a mulher pode andar e usar o que quiser", disse Melaine, que fez a inscrição no corpo "Meu corpo meu território".
Luci Araújo, estudante de História, critico a discriminação contra as mulheres que não usam a roupa com o "comportamento padrão". "É como se a roupa definisse o caráter de uma pessoa, o que não tem qualquer relação", destacou.
Jalene Medeiros, também estudante, disse que pensou em ir para a Marcha das Vadias de Burca, mas como não encontrou a indumentária optou por usar uma máscara. Na mão o cartaz que trazia uma frase de protesto contra o "cafetismo social". "O cafetismo social ainda existe hoje e nós temos que acabar", disse.
Momentos antes de começar a Marcha das Vadias houve uma tensão com a chegada de policiais. Em um prédio comercial próximo ao ponto de concentração da marcha foram feitas pichações. A primeira suspeita foram dos manifestantes. Mas a polícia não constatou o fato e logo seguiu, deixando a Marcha se organizar.
O movimento contou não apenas com a presença de mulheres, mas também de homenns. Alguns, inclusive, optaram por se vestirem de mulher.
Gritos de guerra, músicas, cartazes e uma bateria improvisada com tambores de plástico compuseram os acessórios da Marcha das Vadias.
História da Marcha das Mulheres
O movimento 'SlutWalk', como é chamada a Marcha das Vadias, identifica-se como uma manifestação, autônoma e voluntária, que agrega mulheres jovens que não viveram a construção do feminismo.
O protesto é inspirado em um movimento originado na cidade de Toronto, no Canadá, que busca reverter a cultura que culpa as vítimas por casos de violência sexual e que desencoraja as mulheres a denunciar os crimes. Em todo Brasil a Marcha das Vadias começou ano passado e foi promovida em diversos Estados.
A tarde de chuva deste sábado na capital potiguar foi o cenário para mais um protesto. A Marcha das Vadias, realizada em Ponta Negra, levou dezenas de homens e mulheres a protestarem contra a discriminação feminina e pedirem a liberdade delas. Esse foi o segundo ano da Marcha das Vadias na capital potiguar.
"O meu modo de vestir não tem relação com o desejo dos homens, mas com a minha autonomia", afirmou a presidente do Diretório Central dos Estudantes da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Melaine Macedo.
Vestindo roupa transparente preta e empunhando a bandeira da Marcha das Mulheres, Melaine era uma das mais animadas na Marcha das Vadias. Ela citou a estatística de que em 60% dos processos judiciais de estupro os homens argumentam que as mulheres estavam com pouca roupa ou sozinhas a noite. "Isso é uma opção de cada mulher, a mulher pode andar e usar o que quiser", disse Melaine, que fez a inscrição no corpo "Meu corpo meu território".
Luci Araújo, estudante de História, critico a discriminação contra as mulheres que não usam a roupa com o "comportamento padrão". "É como se a roupa definisse o caráter de uma pessoa, o que não tem qualquer relação", destacou.
Jalene Medeiros, também estudante, disse que pensou em ir para a Marcha das Vadias de Burca, mas como não encontrou a indumentária optou por usar uma máscara. Na mão o cartaz que trazia uma frase de protesto contra o "cafetismo social". "O cafetismo social ainda existe hoje e nós temos que acabar", disse.
Momentos antes de começar a Marcha das Vadias houve uma tensão com a chegada de policiais. Em um prédio comercial próximo ao ponto de concentração da marcha foram feitas pichações. A primeira suspeita foram dos manifestantes. Mas a polícia não constatou o fato e logo seguiu, deixando a Marcha se organizar.
O movimento contou não apenas com a presença de mulheres, mas também de homenns. Alguns, inclusive, optaram por se vestirem de mulher.
Gritos de guerra, músicas, cartazes e uma bateria improvisada com tambores de plástico compuseram os acessórios da Marcha das Vadias.
História da Marcha das Mulheres
O movimento 'SlutWalk', como é chamada a Marcha das Vadias, identifica-se como uma manifestação, autônoma e voluntária, que agrega mulheres jovens que não viveram a construção do feminismo.
O protesto é inspirado em um movimento originado na cidade de Toronto, no Canadá, que busca reverter a cultura que culpa as vítimas por casos de violência sexual e que desencoraja as mulheres a denunciar os crimes. Em todo Brasil a Marcha das Vadias começou ano passado e foi promovida em diversos Estados.
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
VERGONHA:Despejo de moradores em nome de obras
Ela é moradora da Favela Mor Gouveia, na cidade de Natal/RN. Jéssica está grávida de 4 meses. Esta foto foi batida depois que ela descobriu que passará o Natal com o marido e o futuro filho na rua. Isso porque o Governo do Estado do RN está reintegrando a posse do terreno onde Jéssica e mais de 70 famílias moram. Dentre os moradores, muitas crianças, deficientes e idosos. Um portador dr Alzheimer, de artrofia cerebral e muitas grávidas. O Sec. de Habitação disse que não podia fazer nada, e pediu que eles voltassem para a rua. Compartilhe e ajude a salvar o Natal e a vida dessas famílias.
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
Repórter negociou com membro do PCC,evitando rebelião em presídio
O Repórter do Novo Jornal,de Natal,Anderson Barbosa, negociou no presídio de Alcaçuz na última quinta-feira (15) com um membro do PCC que reivindicava alimentação de qualidade e abertura de visita íntima, já que os agentes penitenciários fizeram isso por quererem entrar em greve contra o estado por melhores condições de trabalho. Obtido sucesso na negociação, o repórter foi responsável por evitar uma rebelião.
Confira o excelente texto e como foi a conversa entre o Repórter e o bandido:
João Maria não é um apenado qualquer. Condenado por tráfico de drogas, ele tornou-se hospede de Alcaçuz há oito meses. Esta é sua segunda estadia. Tinha sido posto em liberdade no ano passado para cumprir o regime semiaberto, mas como largou mão do benefício, foi preso novamente. João Maria agora é famoso. João Maria liderou a rebelião em Alcaçuz. João Maria negociou a saída das 54 mulheres que dormiram no presídio.
João Maria é interno do pavilhão 1. Lá estão alguns dos criminosos mais perigosos do estado. É naquela ala onde as leis de Alcaçuz são discutidas. É no pavilhão 1 onde come e dorme a célula do PCC no Rio Grande do Norte. João Maria é do PCC. “Aqui todo mundo é irmão. Todo mundo é do PCC”, afirmou ele, todo gabola.
Quando o telefone tocou, eu não sabia quem era do outro lado da linha. Porém, ao final desta história, vou revelar que duas coisas ficaram gravadas depois desta ligação surpresa. Uma delas vai desaparecer. Não tenho dúvida que vai. A outra, tenho certeza que ninguém apagará.
João Maria: Aqui a situação tá feia. Vai ficar pior se a governadora não vier negociar com nós. Queremos Rosalba e o corregedor. Avisa pro diretor (major Marco Lisboa) que tem gente aqui que vai morrer. Se não atenderem nossas reivindicações, vamos mandar um aviso pra eles verem que aqui ninguém tá de brincadeira.
Repórter: Quem vai morrer? Vocês vão matar quem? Que papo é esse? Vocês vão matar as próprias mulheres de vocês?
João Maria: Não. Aqui ninguém vai machucar a mulher de ninguém. Mas tem preso aqui que merece morrer.
Repórter: Essas mulheres estão aí fazendo o que? O que vocês querem pra soltá-las?
João Maria: Elas estão aqui porque querem, pra ajudar a gente. Mas só vão sair quando a governadora prometer que a nossa situação vai melhorar. Por que não deixaram a nossa comida entrar?
Repórter: Os agentes penitenciários proibiram. Eles dizem que comida, material de higiene e limpeza é o Estado que tem de fornecer.
João Maria: Essa porcaria que dão pra gente nem cachorro come. Aqui a gente passa fome. Tem preso doente por causa dessa comida estragada. Vem você comer essa merda. Quero ver a governadora e o secretário comerem essa merda.
Repórter: Fica calmo. Tô indo pra Alcaçuz. Quem é que tá no comando aí?
João Maria: Quem manda aqui é o PCC. Aqui todo mundo é irmão. Todo mundo é o PCC. Venha que a gente quer a imprensa aqui. Com vocês aqui, a polícia não faz nada com a gente. Se não tiver imprensa aqui, eles vão invadir. Vai ter morte, tô avisando.
Repórter: Espera que eu tô chagando. Quando eu estiver aí, ligo de volta. Deixa o telefone ligado. Quem te deu o telefone que você tá usando?
João Maria: Você sabe que visita não entra com celular. Quem entra com telefone são os agentes. É só pagar que você recebe.
Repórter: Quem são os agentes? Quanto custa o telefone?
João Maria: Sou burro não. Se disser o nome deles eu morro. O telefone custa mil reais.
Repórter: Ficou caro, né? Ano passado um colega seu disse que valia uns R$ 200 ou R$ 300, no máximo.
João Maria: Por este valor você não compra nem o chip.
Repórter: Vou desligar. Quando chegar aí eu ligo.
A reportagem deixou a redação do NOVO JORNAL, no bairro da Ribeira, por volta das R$ 7h. Até Alcaçuz, em Nísia Floresta, em função da chuva e do trânsito lento, o percurso demorou quase uma hora. E logo na entrada da penitenciária, ficou nítido que havia algo errado.
Estranhamente, apenas os agentes penitenciários estavam no rol de entrada de Alcaçuz. Dez ao todo. Apenas dez homens para tomar conta de mais de 700 presos. No presídio a Polícia Militar fica do lado de fora, fazendo a guarda externa. Dentro, só os agentes penitenciários. Apenas os dez.
Repórter: João, aqui só tem agente penitenciário. O diretor (major Marcos Lisboa) não está aqui. Nem o coordenador (José Olímpio).
João Maria: Cadê você? Aparece aí no portão pra eu ver.
Repórter: Tô aqui. Tá vendo? Acena aí pra eu te ver.
João Maria: Tô aqui. Tá vendo bandeira do PCC. Vou balançar pra você ver.
Repórter: Balança pro fotógrafo fazer a foto.
João Maria: Manda esse policial que dá do teu lado sair daí.
Repórter: Aqui não tem PM. Só tem agente penitenciário.
João Maria: Esse que tá aí, do teu lado. Manda ele sair.
Repórter: É o Ney Douglas, meu fotógrafo. Essa capa verde é de chuva. Se molhar a câmera não tem foto.
João Maria: (depois de gargalhar) Cara, ele parece um PM. E cadê o secretário? Cadê a governadora?
Repórter: João, a governadora não vem. Você me disse que não é burro. Você acha mesmo que a governadora vai se curvar pra preso? Ela é a governadora do estado. Já liguei para o secretário Thiago Cortez (Sejuc) e ele disse que também não vem. Mas a imprensa tá aqui. É só você exigir a nossa presença e nós vamos conversar. Tá certo assim?
João Maria: Então liga pra Wellington (o vice-diretor). Aí você entra com ele e a gente negocia.
Repórter: Eu não negocio nada. Posso ir com ele pra você ver que estamos aqui pra resolver sem precisar a polícia entrar. Não é isso que você quer? Você me ajuda que eu te ajudo. Fechado?
João Maria: Eu vou dar 15 minutos pro Wellington chegar. Se ele não aparecer vamos mandar um aviso. Quem é que tá na chefia aí?
Repórter: Aqui só tem agente penitenciário. O chefe da equipe é o Eduardo. Vou passar pra ele. Não desliga.
Neste momento o agente Eduardo Júnior, chefe da equipe, pega o telefone da reportagem e conversa com João Maria. Dois minutos de conversa foi tempo suficiente para o agente garantir ao preso que não haveria represália. “Da minha parte você pode ficar tranquilo. Wellington já tá vindo pra cá. Quando ele chegar vocês conversam. As mulheres saem e tudo fica numa boa. Pode confiar que ninguém vai sofrer nada”, disse Eduardo, devolvendo o telefone ao repórter.
Repórter: Tá vendo João. Tá limpeza. Deixa as mulheres saírem.
João Maria: Só quando eu falar com Wellington. Ele tem que voltar pra direção. Ele a gente respeita. Esse diretor que tá aí (major Lisboa) só faz humilhar a gente.
Repórter: João, espera aí que o carro de Wellington tá chegando. Acho que é ele. Não desliga que vou passar o telefone pra ele. Não desliga.
Wellington entrou em Alcaçuz por volta das 8h20. Naquele exato instante, já fazia praticamente 24 horas que as mulheres estavam dentro do presídio.
Repórter: Wellington, tem um preso aqui na linha querendo falar com você. Ele disse que só negocia com o senhor.
Wellington Marques: É você João? Tenha calma que eu vou aí falar com você. Vai sim, a imprensa vai sim. Anderson tá aqui do meu lado e vai também. Tô entrando.
Portões abertos, o vice-diretor caminhou em direção ao pavilhão 1. Do rol de entrada até o portão que dá acesso ao pavilhão, são quase 200 metros. Wellington seguia na frente, com os agentes penitenciários armados logo atrás. Na cola deles, naquele momento, toda a imprensa. Além do NOVO JORNAL, jornalistas da TV Cabugi, Ponta Negra, Tropical, Sim TV, Band, TV União, Diário de Natal, Tribuna do Norte, Jornal de Hoje, Portal BO e Nominuto.
Confira o excelente texto e como foi a conversa entre o Repórter e o bandido:
João Maria não é um apenado qualquer. Condenado por tráfico de drogas, ele tornou-se hospede de Alcaçuz há oito meses. Esta é sua segunda estadia. Tinha sido posto em liberdade no ano passado para cumprir o regime semiaberto, mas como largou mão do benefício, foi preso novamente. João Maria agora é famoso. João Maria liderou a rebelião em Alcaçuz. João Maria negociou a saída das 54 mulheres que dormiram no presídio.
João Maria é interno do pavilhão 1. Lá estão alguns dos criminosos mais perigosos do estado. É naquela ala onde as leis de Alcaçuz são discutidas. É no pavilhão 1 onde come e dorme a célula do PCC no Rio Grande do Norte. João Maria é do PCC. “Aqui todo mundo é irmão. Todo mundo é do PCC”, afirmou ele, todo gabola.
Quando o telefone tocou, eu não sabia quem era do outro lado da linha. Porém, ao final desta história, vou revelar que duas coisas ficaram gravadas depois desta ligação surpresa. Uma delas vai desaparecer. Não tenho dúvida que vai. A outra, tenho certeza que ninguém apagará.
João Maria: Aqui a situação tá feia. Vai ficar pior se a governadora não vier negociar com nós. Queremos Rosalba e o corregedor. Avisa pro diretor (major Marco Lisboa) que tem gente aqui que vai morrer. Se não atenderem nossas reivindicações, vamos mandar um aviso pra eles verem que aqui ninguém tá de brincadeira.
Repórter: Quem vai morrer? Vocês vão matar quem? Que papo é esse? Vocês vão matar as próprias mulheres de vocês?
João Maria: Não. Aqui ninguém vai machucar a mulher de ninguém. Mas tem preso aqui que merece morrer.
Repórter: Essas mulheres estão aí fazendo o que? O que vocês querem pra soltá-las?
João Maria: Elas estão aqui porque querem, pra ajudar a gente. Mas só vão sair quando a governadora prometer que a nossa situação vai melhorar. Por que não deixaram a nossa comida entrar?
Repórter: Os agentes penitenciários proibiram. Eles dizem que comida, material de higiene e limpeza é o Estado que tem de fornecer.
João Maria: Essa porcaria que dão pra gente nem cachorro come. Aqui a gente passa fome. Tem preso doente por causa dessa comida estragada. Vem você comer essa merda. Quero ver a governadora e o secretário comerem essa merda.
Repórter: Fica calmo. Tô indo pra Alcaçuz. Quem é que tá no comando aí?
João Maria: Quem manda aqui é o PCC. Aqui todo mundo é irmão. Todo mundo é o PCC. Venha que a gente quer a imprensa aqui. Com vocês aqui, a polícia não faz nada com a gente. Se não tiver imprensa aqui, eles vão invadir. Vai ter morte, tô avisando.
Repórter: Espera que eu tô chagando. Quando eu estiver aí, ligo de volta. Deixa o telefone ligado. Quem te deu o telefone que você tá usando?
João Maria: Você sabe que visita não entra com celular. Quem entra com telefone são os agentes. É só pagar que você recebe.
Repórter: Quem são os agentes? Quanto custa o telefone?
João Maria: Sou burro não. Se disser o nome deles eu morro. O telefone custa mil reais.
Repórter: Ficou caro, né? Ano passado um colega seu disse que valia uns R$ 200 ou R$ 300, no máximo.
João Maria: Por este valor você não compra nem o chip.
Repórter: Vou desligar. Quando chegar aí eu ligo.
A reportagem deixou a redação do NOVO JORNAL, no bairro da Ribeira, por volta das R$ 7h. Até Alcaçuz, em Nísia Floresta, em função da chuva e do trânsito lento, o percurso demorou quase uma hora. E logo na entrada da penitenciária, ficou nítido que havia algo errado.
Estranhamente, apenas os agentes penitenciários estavam no rol de entrada de Alcaçuz. Dez ao todo. Apenas dez homens para tomar conta de mais de 700 presos. No presídio a Polícia Militar fica do lado de fora, fazendo a guarda externa. Dentro, só os agentes penitenciários. Apenas os dez.
Repórter: João, aqui só tem agente penitenciário. O diretor (major Marcos Lisboa) não está aqui. Nem o coordenador (José Olímpio).
João Maria: Cadê você? Aparece aí no portão pra eu ver.
Repórter: Tô aqui. Tá vendo? Acena aí pra eu te ver.
João Maria: Tô aqui. Tá vendo bandeira do PCC. Vou balançar pra você ver.
Repórter: Balança pro fotógrafo fazer a foto.
João Maria: Manda esse policial que dá do teu lado sair daí.
Repórter: Aqui não tem PM. Só tem agente penitenciário.
João Maria: Esse que tá aí, do teu lado. Manda ele sair.
Repórter: É o Ney Douglas, meu fotógrafo. Essa capa verde é de chuva. Se molhar a câmera não tem foto.
João Maria: (depois de gargalhar) Cara, ele parece um PM. E cadê o secretário? Cadê a governadora?
Repórter: João, a governadora não vem. Você me disse que não é burro. Você acha mesmo que a governadora vai se curvar pra preso? Ela é a governadora do estado. Já liguei para o secretário Thiago Cortez (Sejuc) e ele disse que também não vem. Mas a imprensa tá aqui. É só você exigir a nossa presença e nós vamos conversar. Tá certo assim?
João Maria: Então liga pra Wellington (o vice-diretor). Aí você entra com ele e a gente negocia.
Repórter: Eu não negocio nada. Posso ir com ele pra você ver que estamos aqui pra resolver sem precisar a polícia entrar. Não é isso que você quer? Você me ajuda que eu te ajudo. Fechado?
João Maria: Eu vou dar 15 minutos pro Wellington chegar. Se ele não aparecer vamos mandar um aviso. Quem é que tá na chefia aí?
Repórter: Aqui só tem agente penitenciário. O chefe da equipe é o Eduardo. Vou passar pra ele. Não desliga.
Neste momento o agente Eduardo Júnior, chefe da equipe, pega o telefone da reportagem e conversa com João Maria. Dois minutos de conversa foi tempo suficiente para o agente garantir ao preso que não haveria represália. “Da minha parte você pode ficar tranquilo. Wellington já tá vindo pra cá. Quando ele chegar vocês conversam. As mulheres saem e tudo fica numa boa. Pode confiar que ninguém vai sofrer nada”, disse Eduardo, devolvendo o telefone ao repórter.
Repórter: Tá vendo João. Tá limpeza. Deixa as mulheres saírem.
João Maria: Só quando eu falar com Wellington. Ele tem que voltar pra direção. Ele a gente respeita. Esse diretor que tá aí (major Lisboa) só faz humilhar a gente.
Repórter: João, espera aí que o carro de Wellington tá chegando. Acho que é ele. Não desliga que vou passar o telefone pra ele. Não desliga.
Wellington entrou em Alcaçuz por volta das 8h20. Naquele exato instante, já fazia praticamente 24 horas que as mulheres estavam dentro do presídio.
Repórter: Wellington, tem um preso aqui na linha querendo falar com você. Ele disse que só negocia com o senhor.
Wellington Marques: É você João? Tenha calma que eu vou aí falar com você. Vai sim, a imprensa vai sim. Anderson tá aqui do meu lado e vai também. Tô entrando.
Portões abertos, o vice-diretor caminhou em direção ao pavilhão 1. Do rol de entrada até o portão que dá acesso ao pavilhão, são quase 200 metros. Wellington seguia na frente, com os agentes penitenciários armados logo atrás. Na cola deles, naquele momento, toda a imprensa. Além do NOVO JORNAL, jornalistas da TV Cabugi, Ponta Negra, Tropical, Sim TV, Band, TV União, Diário de Natal, Tribuna do Norte, Jornal de Hoje, Portal BO e Nominuto.
quarta-feira, 29 de junho de 2011
Buracos de Natal
segunda-feira, 13 de junho de 2011
As manifestações em Natal
Por Ruy Alckmin Rocha Filho
Há alguns dias, um grupo de jovens ocupa a câmara de vereadores de Natal. Os manifestantes protestam contra a prefeita Micarla de Sousa (PV). Esta seria uma manifestação corriqueira, não fossem alguns acontecimentos. Em primeiro lugar, nunca houve semelhante ato na Câmara de Vereadores, mesmo diante dos mais diferentes descalabros. Por outro lado, trata-se de um movimento suprapartidário, no qual os manifestantes se orgulham de repetir que se trata de uma ação horizontal, isto é, distante de hierarquias rígidas e dos dirigentes partidários.
Eis a principal inovação: os jovens se reuniram pela Internet e propõem o impeachment da prefeita. Foram organizados atos públicos num ponto central da cidade, reunindo milhares de ativistas que pararam o trânsito de uma das principais avenidas da cidade. O twitter e outras novas redes têm sido utilizadas à exaustão, conforme a perspectiva do ciberativismo. Artigos publicados em blogs e revistas eletrônicas pipocaram por todos os lados, enquanto os jovens continuam transmitindo pronunciamentos e mostrando o dia-a-dia da ocupação pela Internet, usando a ferramenta twitcam.
CIBERATIVISMO NAS RUAS E NA CÂMARA
Inicialmente, os ocupantes foram recebidos sem grandes sobressaltos na câmara de vereadores. Entretanto, com o passar do tempo e com a crescente repercussão, as pressões começaram a despontar. O presidente da Câmara, Edvan Martins, tentou negociar a saída dos jovens. Posteriormente, houve uma tentativa desastrada de plantar maconha e preservativos no acampamento, com o claro intuito rotular os acampados como baderneiros. Por fim, houve ameaças de expulsão à força, empregando a polícia militar. No momento, um habeas corpus protege os ocupantes, embora Edvan Martins ainda insista na retirada. Os ativistas declaram que só sairão quando for instalada uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para investigar os contratos de aluguéis firmados pela prefeitura. Há a suspeita de que tais contratos sejam utilizados para beneficiar pessoas ligadas à prefeita, lesando os cofres públicos. A CEI já tinha sido criada, mas com total controle dos apoiadores da prefeita. A oposição exige participar, ocupando a relatoria ou a presidência da comissão.
MÍDIA REGIONAL E A NOVA ESFERA PÚBLICA
Apresentados os fatos em destaque, é importante ressaltar um importante debate de fundo: o papel da Mídia regional na esfera pública. Habermas ressaltou em seus textos que o espaço público sofreu consideráveis transformações ao longo do século XX, com a crescente influência midiática. No caso da Mídia regional no Brasil, não podemos ignorar certos fatores que concorreram para vulnerabilidades históricas: concentração de renda; concentração de poder político; extrema deficiência educacional.
Em outras palavras: temos jornais de baixa qualidade, que vendem pouco; temos emissoras de Rádio voltadas ao proselitismo político-religioso; temos emissoras de TV devotadas aos príncipes eletrônicos, conforme conceito de Otávio Iani. Uma Mídia que padece de males históricos: jornalistas mal remunerados, oprimidos em redações pouco afeitas à diversidade de ideias; imprensa panfletária e retrógrada, tutelada por donos pouco interessados em conhecer e debater a realidade; emissoras sob o controle de políticos, ávidos por transformarem telespectadores em votos.
COBERTURA JORNALÍSTICA?
No caso dos jovens contra a prefeita, percebe-se uma cobertura em que a informação nem sempre é apurada da melhor maneira, de acordo com os princípios do verdadeiro jornalismo. A prefeita é jornalista e desfruta de uma concessão de TV. Evidentemente, fez uso dos telejornais da emissora para tentar deslegitimar os jovens, tentando atribuir a eles uma imagem negativa. Jornais e alguns blogs de jornalistas publicam comentários e matérias sem ouvir os manifestantes, que frquentemente são retratados como arruaceiros e despolitizados.
Ao mesmo tempo, a prefeita investe generosamente em propaganda, o que leva a conquistar a simpatia de alguns donos de jornais. Vale informar que a prefeita ostenta níveis memoráveis de desaprovação conforme pesquisas divulgadas. Na verdade, há uma alarmante rejeição aos políticos e à política em si, o que pode ser perigoso, pois pode resultar numa descrença generalizada na democracia.
DÚVIDAS
Fica a dúvida: jornais e jornalistas podem se aventurar a distorcer e a mentir da forma como se fazia num passado não tão distante? Emissoras de TV podem negar os fatos, prejulgar e construir matérias atreladas à visão de seus “donos”, mesmo quando a população sabe quem são e como pensam estes “donos”? Tenho a impressão de que os meios de informação que não se renovarem, isto é, os meios que abdicarem da busca constante pelas diferentes visões dos fatos, insistindo em rejeitar um diálogo franco com a audiência podem descobrir um dia que se tornaram obsoletos. Este dia pode ser hoje.
Ruy Alkmim Rocha FilhoJornalista e professor universitário
@ruycomunica
domingo, 5 de junho de 2011
Falsa propaganda se destrói com a realidade
A situação da prefeita de Natal,Micarla de Sousa, realmente está muito difícil. Não bastasse a má administração pública que está gerando na sociedade civil o pedido de impeachment, o governo municipal agora deu para mentir.
As propagandas veiculadas pela prefeitura na televisão - que são muito caras - não condizem com a realidade. Um exemplo disso é o vídeo acima, que satiriza e ao mesmo tempo denuncia a falácia política, que gasta muito com esse tipo de divulgação em vez de destinar o dinheiro nos serviços básicos para o cidadão.
Os idealizadores do vídeo brilhantemente usam a ironia de forma proposital para fazer a contraposição do discurso do ator da propaganda com as imagens do hospital Santa Celeste - local no qual a propaganda está se referindo -, causando um ruído indignante na mensagem proferida. A comprovação da mentira se dá também com depoimentos de médicos e pacientes, as verdadeiras autoridades no assunto, já que estão lá todos os dias.Outras formas de comprovação do caos na saúde no vídeo é o choro de crianças ao fundo e algumas mães com aspecto de axaustão segurando seus filhos no braço.
A propaganda tem o slogan "Você não sabia? Agora sabe e aprova". Imagina se soubesse...
As propagandas veiculadas pela prefeitura na televisão - que são muito caras - não condizem com a realidade. Um exemplo disso é o vídeo acima, que satiriza e ao mesmo tempo denuncia a falácia política, que gasta muito com esse tipo de divulgação em vez de destinar o dinheiro nos serviços básicos para o cidadão.
Os idealizadores do vídeo brilhantemente usam a ironia de forma proposital para fazer a contraposição do discurso do ator da propaganda com as imagens do hospital Santa Celeste - local no qual a propaganda está se referindo -, causando um ruído indignante na mensagem proferida. A comprovação da mentira se dá também com depoimentos de médicos e pacientes, as verdadeiras autoridades no assunto, já que estão lá todos os dias.Outras formas de comprovação do caos na saúde no vídeo é o choro de crianças ao fundo e algumas mães com aspecto de axaustão segurando seus filhos no braço.
A propaganda tem o slogan "Você não sabia? Agora sabe e aprova". Imagina se soubesse...
quinta-feira, 26 de maio de 2011
Protesto em Natal contra as administrações municipal e estadual
População de Natal enfim decidiu ir às ruas.O protesto foi feito na cidade por conta das inúmeras greves do município e de todo estado que estão paralisando os serviços públicos básicos a população. São ao todo 12 categorias em greve, incluindo os mais emergenciais como saúde e segurança.
Duas mil pessoas se reuniram na avenida Salgado Filho com cruzamento na Bernardo Vieira. Entre as reinvidições, as saídas da prefeita de Natal, Micarla de Sousa e da governadora Rosalba Ciarlini.
Duas mil pessoas se reuniram na avenida Salgado Filho com cruzamento na Bernardo Vieira. Entre as reinvidições, as saídas da prefeita de Natal, Micarla de Sousa e da governadora Rosalba Ciarlini.
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