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segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Jornalismo e diversidade


Por Dênis de Moraes, no sítio da Editora Expressão Popular:

Em memória de Juan Díaz Bordenave

O cenário que envolve o jornalismo atual é complexo e intrincado. De um lado, há uma profusão de conteúdos industrializados na proporção exigida por canais multimídias em crescimento contínuo. De outro, há uma perversa concentração das informações nas mãos de poucos conglomerados empresariais, em sintonia com a meta de ampliar o valor mercantil e os padrões de acumulação e lucratividade do setor. Se apontamos essa concentração em torno de estruturas de industrialização de notícias pertencentes a megagrupos, o que é produzido obedece a uma escala de valores e de visões geralmente restrita às avaliações e conveniências das fontes controladoras. A "diversidade" apregoada pelos arautos do neoliberalismo está, quase sempre, sob forte controle das fontes de emissão, responsáveis pela mercantilização generalizada da produção simbólica.

Por outro lado, o acesso aos conteúdos é profundamente desigual. Há grave assimetria entre a expansão dos sistemas tecnológicos e a capacidade de inclusão da base da sociedade nos benefícios decorrentes. Os países mais ricos e as elites dominantes são os que mais desfrutam dos acessos, usos e vantagens do excesso de estímulos impressos e audiovisuais. Tanto os usos das tecnologias avançadas quanto a propalada "diversidade" são estratificadas e sob controle, não são para todos. Conforme o Mapa das Desigualdades Digitais, no Brasil os 10% mais ricos usufruem até cinco vezes mais dos benefícios da rede do que os 40% mais pobres da população. Como se deduz, o universo de usuários, por mais que se contem aos milhões, não corresponde à totalidade social, que é paradoxal, desigual e injusta. Existem diferentes padrões educacionais e socioeconômicos envolvidos nos processos comunicacionais e culturais, o que significa perceber que tais diferenças são intrinsecamente portadoras de desigualdades e exclusões que vicejam em meio à explosão tecnológica. Então, não há como deixar de reconhecer que consequências negativas de uma sociedade estratificada e desnivelada se projetam no usufruto seletivo e privilegiado de informações, saberes e conhecimentos.

O quadro acima sumarizado provoca uma série de impactos na práxis jornalística. Costumo dizer que o jornalismo envolve, ao mesmo tempo, a melhor profissão do mundo e uma das profissões mais problemáticas do mundo. Porque, se nenhuma outra profissão tem a variedade de contatos e trocas com a condição humana como o jornalismo, é forçoso reconhecer que a estrutura empresarial que rege o jornalismo de mercado é profundamente verticalizada, avessa a expressões autônomas e participativas por parte dos jornalistas. Essa estrutura empresarial, sob a égide dos grupos econômicos, assume e controla, monopolicamente, os processos de produção e veiculação das informações que circulam socialmente. Trata-se de uma “estrutura piramidal”, como assinala Milton Santos: “No topo, ficam os que podem captar as informações, orientá-las a um centro coletor, que as seleciona, organiza e redistribui em função do interesse próprio. Para os demais, não há, praticamente, caminho de ida e volta. São apenas receptores, sobretudo os menos capazes de decifrar os sinais e os códigos com que a mídia trabalha.” (1)

Os mecanismos de controle cresceram enormemente nas empresas de mídia, gerando, como efeito colateral, uma sensível diminuição da possibilidade de interferência autoral dos jornalistas nos produtos e mensagens que elaboram. Resultam daí ambivalências e frustrações. Sem dúvida, há desvios nos processos informativos, provocados, em larga medida, pelas conveniências de toda ordem dos grupos empresariais do setor e pelos modelos autoritários que regem as relações internas das redações - um modelo que filtra e enquadra as notícias em sintonia com as ênfases e os ocultamentos determinados, unilateralmente, por cada veículo.

Frente a tal quadro, propício a desvios e prepotências, a impaciência analítica se manifesta quando só se mede a atividade jornalística por equívocos e manipulações. Trata-se, no caso, de achar que só existe um jornalismo, quando existem jornalismos, no plural. Ora, o jornalismo só se torna prisioneiro de si mesmo quando se contenta em ser de mão única, geralmente porta-voz das frações mais acirradas das classes dominantes e, não por acaso, sempre vulnerável ao que Rodolfo Walsh situou, primorosamente, como “mentiras irrisórias, calúnias pagas e estupidez elevada à virtude”. (2)

As experiências do jornal Brasil de Fato e dos sites Carta Maior, Correio da Cidadania e Ópera Mundi têm alguma coisa a ver com o jornalismo empresarial? Evidente que não. Isso não quer dizer, obviamente, que tudo que se faz no jornalismo dos grupos midiáticos seja um lixo. Absolutizar as impugnações é ceder ao dogmatismo e desconhecer as próprias contradições e ambivalências de cada meio noticioso, bem como ignorar circunstanciais olhares críticos e brechas de inteligência dentro dos domínios midiáticos (ainda que em espaços exíguos e ocasionais para se manifestar sem embaraços). Sem subestimar a reverberação do ideário dominante nos canais midiáticos, devemos reconhecer que fatores mercadológicos, socioculturais e políticos repercutem de alguma maneira na definição de conteúdos e programações. Os meios estão entranhados no mercado e dele dependem para suas ambições monopólicas. Um de seus traços distintivos da mídia, enquanto sistema de produção de sentido, é a capacidade de processar certas demandas da audiência, o máximo possível dentro das margens de controle delineadas por estrategistas e gestores corporativos.

O que diferencia Carta Maior, Brasil de Fato, Correio da Cidadania e Ópera Mundi é que eles produzem um outro tipo de jornalismo, mais insubordinado e comprometido com a crítica ao capitalismo, ao neoliberalismo e às elites dominantes – vale dizer, ao modo de produção elitista e excludente que serve de lastro a modelos verticalizados como os da maior parte das empresas de comunicação. São publicações que se pautam por temáticas e óticas comprometidas com o universo das necessidades, reivindicações, conflitos e expectativas sociais, nos diferentes planos da vida cotidiana. Recusam assumir o cinismo das formulações sobre “objetividade” e “neutralidade”, cujo fim último é dissimular ou apagar as marcas dos interesses de classe presentes nas enunciações das máquinas midiáticas. Têm ciência de que são produtores de interpretações e leituras do mundo, de acordo com suas convicções e alvos. Mas se propõem a não confundir o tomar partido com o silenciamento ou a interdição das posições antagônicas, através da estigmatização e até da destruição das razões do outro pela artilharia de editoriais, manchetes e textos tendenciosos.

Quando tomamos contato com veículos contra-hegemônicos e alternativos, verificamos, em muitos deles, múltiplas interpretações sobre acontecimentos e situações sociais, políticas, econômicas e culturais. É, tendencialmente, um tipo de jornalismo mais plural, inclusivo no sentido de revelar-se mais permeável às causas comunitárias e populares. E, no entanto, é jornalismo. E as pessoas que fazem essas publicações são jornalistas. Quem dirige essas redações são jornalistas. Insisto que devemos adotar um raciocínio dialético em relação aos jornalistas e pensar sua práxis de uma maneira abrangente e complexa.

As formas de atuação dos jornalistas dentro das corporações podem oscilar, seja por suas posturas, habilidades ou alinhamentos, seja pelas múltiplas experiências vividas, seja por nuanças ideológicas, programáticas e mercadológicas nas diretrizes empresariais. Não podemos esquecer que, entre os jornalistas da grande imprensa, existem aqueles que tentam explorar brechas, fissuras e fendas dentro dos próprios aparatos. Com efeito, é fundamental não reduzir o jornalismo enquanto atividade complexa e plural ao tipo de jornalismo com o qual estamos em desacordo, que é aquele jornalismo que neutraliza e menospreza expressões do contraditório.

A crítica à mídia é decisiva, imperiosa e inadiável. Impossível sermos indiferentes a distorções por ela praticadas. Os principais órgãos de difusão dizem representar a vontade geral, apresentando-se à opinião pública como intérpretes do senso comum e guardiães da moralidade, quando, em verdade, espelham prioridades comerciais, intentos políticos e pretensões de poder de seus controladores, eles próprios integrantes de frações das classes dominantes. Esses desvios se chocam com interesses coletivos, que deveriam ser o ponto central a ser preservado pelos atores participantes do campo jornalístico e dos processos informativos em particular, principalmente por veículos que detêm concessões públicas de canais de rádio e televisão.

Reivindico apenas que tenhamos um olhar mais abrangente sobre a produção jornalística como um todo. Não percamos de vista que o jornalismo, por definição, é uma atividade que, a despeito de limitações e coerções, tem a ver com a liberdade de expressão e a diversidade, estando em contato privilegiado com a condição humana, a partir de uma relação febril com a realidade social. O fascínio pelo jornalismo está, a meu ver, associado à sua relação com aspirações, vicissitudes e expectativas dos homens concretos, como também à possibilidade de traduzir em textos, sons e imagens os acontecimentos sociais, econômicos, políticos e esportivos, os conflitos humanos, as criações culturais, o entretenimento, os fatos da vida cotidiana etc.

Devemos manter o espírito crítico aceso em relação aos desvios e manipulações cometidas pelos veículos de massa, sem esquecer em momento algum que existem outros jornalismos. E quando me refiro a outros jornalismos não estou me referindo apenas ao jornalismo contra-hegemônico em sentido estrito; existem vários outros jornalismos: sindical, estudantil, cultural, científico, ambientalista... Sem contar revistas e tabloides, sites, portais, TVs universitárias e educativas, agências de notícias independentes, ONGs, coletivos de produção independente, o jornalismo dos movimentos sociais, o jornalismo das rádios e televisoras comunitárias, o jornalismo das redes sociais, dos blogs, dos tablets, dos celulares, dos murais, dos telões...

Há uma pluralidade que tem que ser contemplada na análise, e nós não podemos confundir os vários jornalismos diante de nós com o jornalismo problemático da grande mídia. Nem podemos, igualmente, ignorar que o jornalismo alternativo enfrenta barreiras e tropeços: sustentabilidade; profissionalização e infra-estrutura limitadas; abrangência, circulação e penetração mais restritas. Entretanto, projetos participativos e criativos desenvolvem, presencial ou virtualmente, práticas editoriais, agendas informativas, enfoques, dinâmicas comunicacionais e interações que, não raro, põem em xeque o monolitismo ideológico-cultural que costuma caracterizar os meios tradicionais. Valorizam a diversidade no sentido proposto por Eduardo Galeano: a variedade de mundos que o mundo contém.

À luz desses pressupostos, parece-me essencial interferir nos múltiplos cenários que envolvem a atividade jornalística. A começar pela formação dos novos jornalistas, tentando superar insuficiências e percepções afoitas. Deveríamos, por exemplo, descartar a inculcação dos valores do sucesso, da competitividade e da ascensão a qualquer custo. Isso contribui para cristalizar a idéia fixa e preocupante de direcionar currículos e vocações para o mercado da grande mídia, como se fosse este o único destino promissor. Entre os efeitos colaterais dos cursos para o mercado, estão o desestímulo à reflexão crítica, o atrelamento aos tecnicismos e mandamentos corporativos, na medida em que se ajustam conteúdos ministrados a critérios e filtros estabelecidos pelas empresas de mídia para recrutar pessoas e compor seus quadros – critérios, via de regra, desfavoráveis a posturas críticas. É uma visão estreita que celebra o jornalismo tradicional e sufoca alternativas - como se fosse intolerável ter nas redações profissionais que se distinguem da geléia geral por ousar pensar para além das convenções, sanções e manuais uniformizadores. Daí a importância de se tentar reequilibrar, progressivamente, as ênfases entre o aprendizado de técnicas e linguagens, a formação humanística e o espírito crítico, abrindo o leque de perspectivas para a atuação profissional.

Por que não envolver a sociedade numa discussão ampla das atividades jornalísticas, contemplando os primados da ética, da informação veraz, da liberdade de opinião e do compromisso com a cidadania? Por que não avançar na definição de instâncias e modos de verificação de procedimentos editoriais e padrões éticos no jornalismo? São questões que a arrogância dos grupos midiáticos quer diluir e evitar, pois desejam se manter fora do alcance de mecanismos de acompanhamento e interpelação de seus eventuais equívocos ou abusos na tarefa de informar.

Mais ainda: o outro jornalismo possível exige uma urgente reformulação da legislação de comunicação no Brasil, alterando o regime de concessões de licenças de rádio e televisão. A providência se impõe tanto para coibir o clientelismo político e abrir oportunidades a canais comunitários e a uma comunicação pública não-governamental quanto para ampliar os mecanismos democráticos de fiscalização das empresas concessionárias. O poder público precisa intensificar linhas de financiamento, apoios e patrocínios que fortaleçam os meios alternativos, comunitários, sindicais e populares, que se estruturam em torno da partilha, do intercâmbio e da colaboração, sem finalidades lucrativas. Melhorar a qualidade de programação da televisão aberta também passa pela contenção da obsessão mercantil das emissoras.

Apesar dos obstáculos, há chances de evoluirmos para exercícios mais instigantes do jornalismo, inclusive aproveitando ferramentas e ecossistemas digitais (sem cair na ilusão de achar que a internet é a solução para todos os males, até porque os tentáculos da mercantilização se alastram pela rede) e desenvolvendo formas colaborativas, compartilhadas e descentralizadas de produção informativa e cultural. Significa reunir projetos convergentes e mobilizar energias criativas e consciências questionadoras para fazer reviver a inquietação jornalística e impulsionar o vigor crítico diante de um mundo reificado. Pois afinal foi esta inquietação que motivou tantos de nós, quando jovens, a escolher o jornalismo não apenas como profissão, mas também como destino histórico para nossos espíritos indomáveis.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Apresentadora é demitida e Sindicato dos Jornalistas declara 'guerra' à Rede TV!


A demissão de Rita Lisauskas, âncora do "RedeTV! News", foi considerada "inaceitável" pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP). A jornalista, que trabalhava na emissora desde 2000, foi afastada após reclamar publicamente do atraso de salários na emissora. O desabafo foi feito no Facebook.

“Queria só entender como tem empresário que consegue colocar a cabeça no travesseiro e dormir, sabendo que há centenas de profissionais sem salário há, no mínimo, dois meses bem na semana do Natal. E o pior: como tem assessor de imprensa (ou seja, coleguinha) que se digna a desmentir o óbvio com a seguinte pérola: ‘É mentira desses funcionários, pois os salários estão em dia.’ Aos colegas que pensaram em me enviar mensagem pedindo para que me cale nem percam seu precioso tempo. Sou profissional, tenho dignidade, mas não tenho estômago", escreveu a jornalista na ocasião.

Na época, o Portal IMPRENSA contatou a RedeTV!, que afirmou que "o assunto é de âmbito interno e por isso será discutido e resolvido internamente. Não vamos nos pronunciar a respeito".

Nesta semana, a jornalista declarou a uma coluna que não esperava ser demitida. "Não fui ingênua, eu sabia que haveria repercussão, mas não imaginava que a emissora levaria a este desfecho", afirmou. Segundo ela, a RedeTV! havia rescindido seu contrato sete dias atrás, mas deixou para informá-la ontem (quinta-feira).

"Estou com a consciência tranquila. Eu não podia sentar naquela bancada e fingir que nada estava acontecendo. Pais, mães de família, profissionais sérios sem dinheiro, em plena época de Natal", disse.

O SJSP se colocou à disposição de Rita e "considera inaceitável que a RedeTV! efetue retaliações contra profissionais que demonstram justa indignação pelo não pagamento de salários".

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Soberania Intelectual

Por José Marques de Melo

As ciências sociais ganharam legitimidade internacional no processo de descolonização supervisionado pela ONU na conjuntura posterior à derrota do nazi-fascismo na Batalha de Stalingrado. A valorização da democracia política como sustentáculo do desenvolvimento econômico conferiu papel crucial aos meios de comunicação de massa. Por isso, a Unesco introduziu a criação de uma comunidade mundial dos cientistas da comunicação da mesma maneira que procedera nas disciplinas de economia, sociologia, política e antropologia.

Embora desencadeado em 1949, o processo de constituição do espaço acadêmico mundial da comunicação somente ganhou força a partir de 1957, quando foi fundada a International Association for Mass Communication Research (IAMCR). Sob hegemonia franco-americana, a nova associação internacional de pesquisa de comunicação de massa foi respaldada por um conjunto de países do bloco capitalista – especialmente a Inglaterra e a Itália – e do bloco comunista – URSS à frente, acolitada pela Polônia e pela Hungria – e legitimada por Países de Terceiro Mundo – entre eles, o Brasil. Essa entidade cresceu sob a tensão da guerra fria, mantendo um equilíbrio político entre as forças em disputa epistemológica.

Todavia, depois da queda do muro de Berlim, as relações de poder nessa comunidade vêm se inclinando significativamente para uma espécie de unipolaridade, que deixou de ser geopolítica para se tornar geocultural. Em decorrência, as matrizes que configuram o pensamento anglo-americano tornaram-se dominantes no mundo globalizado, enfraquecendo a multipolaridade avalizada pelas agências da ONU.

Essa transformação do campo comunicacional em espaço anglófono vem se dando principalmente pela inércia dos países pertencentes a outros agrupamentos geoculturais, que assimilam e reproduzem as matrizes do pensamento anglófono, pouco a pouco legitimado como “pensamento único”.

Iniciativas como a dos países nórdicos, aglutinados pelo Nordicom, mostram-se positivas, suscitando o lançamento de ofensas do gênero. Inspiradas nessa bem-sucedida experiência, as lideranças ibero-americanas assinaram o Protocolo de Guadalajara (2007), que criou condições para o Pacto da Ilha da Madeira (2009), etapa decisiva para a criação de uma comunidade internacional que pode fincar a bandeira ibero-americana no espaço mundial das ciências da comunicação. Nesse sentido, o Congresso Mundial de São Paulo (2011), realizado no Campus da USP na primeira semana de agosto, conotou perspectivas alvissareiras.

A adesão de 500 participantes, selecionados criteriosamente num universo de quase mil resumos inscritos, confirmou que estamos no caminho certo. Vale a pena prosseguir nessa batalha para afirmar nossa soberania intelectual, evitando que a identidade cultural amalgamada pela mestiçagem ibero-americana seja dissolvida gradativamente nas malhas da “aldeia global”.

terça-feira, 26 de julho de 2011

O porque da Comunicação existir

O homem só pode ser considerado um ser social quando ele se relaciona. E para isso acontecer ele deve se comunicar. As ferramentas usadas para atingir o objetivo de ser entendido podem ser variadas, independente do meio empregado. Gestos, grunhidos e até linguagem verbal que dá sentido para uma sociedade existir. Não importa, tornar e se fazer entendível é o desejo de todo ser humano.

A comunicação com seus múltiplos meios tem se tornado cada vez mais dinâmica, não apenas do ponto de vista tecnológico, mas, sobretudo, pelas inúmeras vozes que existem ao redor de seu espaço. Hoje em dia, a comunicação perdeu o sentido que tinha antigamente de ser apenas uma troca de informações entre emissores e receptores permanentes e distantes. 
Prova disso é o processo dialogal da comunicação, que parte do emissor atinge o receptor que, em resposta, torna-se ele mesmo emissor e emite nova mensagem em direção ao antigo emissor, agora transformado em receptor.

Dessa forma então, quebram-se as teorias fixas de comunicação, em que um emissor enviava uma mensagem sem qualquer filtro crítico e ativo por parte do receptor. Para simplificar, esse é o exemplo do início da teoria das massas, acrítica em sua origem e reprodução das informações, mas que foi derrubada, por causa de escolhas de conteúdos por parte das audiências.

Com inúmeras vozes, conteúdos e influências (seja por meio da indústria da mídia ou da mídia alternativa), passam a existir nos cidadãos variadas produções de sentido que afetam o seu ambiente, o seu modo de viver, a sua cultura. Por não ter uma forma dita como correta de avaliar o processo, as metodologias da pesquisa em comunicação vão buscar nos diferentes saberes, possíveis respostas para alterações sociais de um espaço.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Alunos de Comunicação da UFRN são os mais premiados do Intercom Nordeste



Por Tereza Oliveira - adaptado

Na última sexta feira (17) aconteceu, em Maceió, o encerramento do prêmio universitário Expocom Nordeste 2011. Pelo segundo ano consecutivo, o Curso de Comunicação Social da UFRN foi o mais premiado da região.  

Na edição do presente ano, que contou com a participação de instituições de todos os estados da região, foram premiados 12 trabalhos da UFRN dos 18 inscritos nas categorias cinema e audiovisual, jornalismo e produção transdisciplinar em comunicação. Os ganhadores concorrerão agora na etapa nacional que ocorrerá em setembro no Recife . 

Segundo Bruno Viana, um dos premiados deste ano, é preciso se manter firme e equilibrado para representar bem a universidade nesses eventos. “Eu sei que a concorrência será maior e mais forte no Intercom nacional. Por isso, vou trabalhar o lado psicológico para estar calmo e mais preparado”, disse.

De acordo com o Chefe do Departamento de Comunicação Social, Adriano Charles Cruz, as premiações apontam para o nível dos alunos e as melhorias que o curso vem passado nos últimos anos.
Professor da UFRN,Itamar Nobre,recebe prêmio das mãos de José Marques de Melo (Foto:Paula Trigueiro)


O Expocom faz parte do Congresso de Ciências da Comunicação – Intercom, em suas edições regionais e nacionais. Concorrendo em diversas categorias, os estudantes mostram, na prática, todo o conhecimento que absorvem em sala da aula.

Os premiados:
Jamaika Lima - Filme de ficção
Ricardo Pinto - Filme de animação
Jomar da Cunha Dantas - Filme de não-ficção / documentário / docudrama
Hélio Ronyvon G. Rocha - Roteiro
Rafaela Bernardazzi T. Leite - Vídeo Minuto
Yasmim K. Morais da Costa – Videoclipe
Joanisa Prates Boeira - Programa Avulso de áudio/Rádio
Patrícia de Carvalho Silva - Radionovela
Bruno Henrique de Souza Evangelista - Vinheta de TV
Gilberto Oliveira - Revista impressa
Fagner Farias de Macêdo - Produção em jornalismo interpretativo – Dossiê, Análise, Cronologia, Perfil, Enquete
Bruno César Brito Viana - Revista customizada

terça-feira, 14 de junho de 2011

Igreja Universal deu R$ 480 milhões à Record em 2010

Por Folha.com

O programa Ooops!, do UOL (empresa controlada pelo Grupo Folha, que edita a Folha), obteve um estudo inédito que mostra qual é o verdadeiro montante das contribuições da Igreja Universal no faturamento da TV Record. Segundo o estudo, sigiloso, a ordem evangélica comandada por Edir Macedo, dono da Record, colocou em 2010 exatos R$ 480 milhões nos cofres da emissora.

Isso equivale a cerca de R$ 40 milhões por mês, que vem a ser o preço pago pela Universal para ocupar o espaço das madrugadas. Apesar desse reforço de caixa, balanço anual da Record, publicado no "Diário Oficial Empresarial" do último dia 31 de maio, informa que a emissora registrou prejuízo de R$ 1,7 milhão no ano passado.

Procurada, a Record não quis se manifestar sobre os dados desta reportagem.

A Record não é a única emissora que vende faixas de sua programação para terceiros, em especial, igrejas. Tampouco é a única que vende horário para a Universal. A igreja também loteia horários na Gazeta e já tentou comprar espaço até no SBT, sem sucesso.

O resultado de R$ 1,7 milhão de prejuízo não inclui toda a Rede Record e suas afiliadas, bem como o jornal "Folha Universal", da igreja de Macedo. O número do balanço engloba as praças São Paulo, Rio e Sul do país.