quarta-feira, 28 de novembro de 2012
segunda-feira, 26 de novembro de 2012
De onde vem o interesse pela política sabendo que ela não tem jeito
O fenômeno do interesse pela vida pública sabendo que a
política está menos acreditável não é tão difícil de explicar. O autor John B. Thompson erra em sua obra "A Nova Visibilidade" quando diz que os políticos fazem esforços por uma vida comum para se aproximar
mais do povo, visto que diante do poder pessoas antes humildes se tornam menos
táteis pela população, numa espécie de sentimento de estar acima da humanidade.
Além de se apresentarem como seres imutáveis de erro e íntegros.
O real motivo desse interesse, exposto pelo autor, pode
estar ligado a natureza humana de escancarar o roubo, humilhar que antes se
achava acima de todos, tirar o poder, e portanto, tornar os políticos iguais
aos pobres mortais.
O contato com esse tipo de fato só foi possível com a
mudança estrutural do ethos jornalístico, no investimento em investigação que
trouxe a euforia das descobertas que evidenciaram escândalos durante o século
XX.
Outro motivo foi a vigilância da vida pública com as novas
tecnologias, a possibilidade de escancarar os roubos pelo aparato de câmeras
escondidas, gravadores e fotografias que podem ser feitas por qualquer pessoa.
Por último, o interesse pela política em tempos de
descrédito é o declínio da política ideológica, que muitas pessoas se
decepcionaram com a falta de lógica da ideologia com a prática de alguns
partidos. A política passou a ser de confiança, centrada na figura apenas do
político, no que ele faz, se é honesto e se tem antecedentes que o mancharam.
Tudo isso leva a discursão a cada novo pleito, prendendo a atenção de todos na desconfiança
do eleitorado e preocupação com seu interesse.
Disputas por visibilidade na era midiática
Diante do fato de no atual momento o domínio público poder
ter posse de novas ferramentas comunicacionais, há uma imensa gama de aparições
de políticos em diversas situações. Algumas delas para se autopromoverem. Os
políticos profissionais sabendo do turbilhão midiático se mostram cada vez mais
em situações que podem conferir a eles a credibilidade como proximidade com o
povo, solenidades de abertura de alguma obra e outras coisas mais. As
assessorias de imprensa, por exemplo, também fazem questão de divulgar imagens
que agreguem o valor simbólico de seus assessorados para o público.
* Análise baseada no texto "A Nova Visibilidade" de John B.Thompson
terça-feira, 25 de setembro de 2012
terça-feira, 7 de agosto de 2012
terça-feira, 31 de julho de 2012
segunda-feira, 30 de julho de 2012
Betânia, a cobra e o mundo
Em junho de 1970, uma cantora considerada o novo fenômeno da
Música Popular Brasileira chegava ao Recife para o seu primeiro show na capital
pernambucana. Hospedada no Hotel São Domingos, no centro, ela recebeu a equipe
do Diario escalada para uma entrevista. O repórter Valdi Coutinho e o fotógrafo
Maurício Coutinho foram recepcionados pela irmã de Caetano Veloso como se
fossem velhos conhecidos, apesar do atraso. Rolou uma conversa pra lá de
informal, que rendeu página inteira no Terceiro Caderno, suplemento cultural
publicado aos domingos. Na capa, a chamada: “Maria Betânia: eu acho o homem
brasileiro lindo”.
Na página 2, uma língua afiada em respostas curtas. Betânia
fala de amor total, sucesso, massa ou elite, Capiba, pileque, fossa, amores não
correspondidos, filhos, Elis Regina grávida e a sua estreia no Recife. Na
abertura da entrevista, Valdi Coutinho ressalta que Betânia estava conversando
com um grupo quando a reportagem chegou. No meio da entrevista, ele destaca que
“Alguém” pergunta por que Betânia está sempre com uma cobra de ouro enroscada
no braço. “Eu amo. Aqui tem um time de futebol que tem a cobra como símbolo,
não é?”. O “Alguém” confirma: “sim, o Santa Cruz…”.
Com o passar das décadas, Betânia se tornaria mais
reservada. Continuaria autêntica, mas não falaria abertamente das suas
preferências. Nesta entrevista histórica ao Diario, a última pergunta era sobre
o seu “caso” atual. A resposta vale até hoje: “Ninguém. Amo todo mundo. Não
tenho medo de nada. Não sou indiferente. Gosto de Maria Betânia porque não sou
minha, sou de Deus e do mundo”.
sexta-feira, 6 de julho de 2012
Pelé foi oferecido ao Sport quando tinha 16 anos.Time rubro negro não quis
No dia 5 de novembro de 1957, o Sport cometeu o maior erro
da sua história. Num desses lances que só acontecem uma vez na vida, o Leão
teve a oportunidade de contar com o reforço de ninguém menos do que Pelé,
oferecido pelo Santos ao então diretor José Rosemblit. Para infelicidade geral
da torcida rubro-negra, o clube rejeitou a proposta. O argumento da época foi
que o garoto, com 17 anos, era novo e desconhecido. Durante muitos anos esse
fato foi questionado e estava fadado a entrar para a posteridade como mais uma
lenda do futebol.
Mas agora, 42 anos depois, os incrédulos terão que se curvar
às evidências. A reportagem do DIARIO teve acesso a um telegrama, que se
julgava perdido ou inexistente, comprovando o oferecimento de Pelé ao
rubro-negro pernambucano. A relíquia estava guardada a sete chaves pela família
Menezes, a mesma de Ademir, artilheiro da Copa de 50.
Adamir, primo do Queixada, foi quem intermediou a
negociação. Por isso, ele acabou ficando com o documento. "Papai era
representante comercial e tinha muitos contatos com os clubes de São Paulo.
Conversando com o presidente do Santos, ele pediu alguns reforços para o Sport.
O telegrama foi a resposta a esse pedido", explica Ronald Menezes.
Com a morte de Adamir, a guarda do precioso telegrama ficou
com sua esposa, dona Elza Menezes, e com os cinco filhos do casal, todos
rubro-negros doentes, de carteirinha. "Nós sabíamos que, algum dia,
iríamos dar esse documento histórico de presente ao Sport. Por isso, guardamos
com tanto carinho", falou Adamir Júnior, o mais novo do clã dos Menezes.
Os Menezes guardaram o telegrama com tanto cuidado que a
história quase cai no esquecimento. Segundo dona Elza, nem o próprio Pelé sabe
da existência do documento. "Sempre quando vinha ao Recife, acompanhando a
equipe do Santos, Pelé passava em nossa casa. Lembro que a rua ficava cheia.
Mas eu nunca mostrei o telegrama a ele e acredito que meu marido também
não".
Apesar da vontade da família em repassar o telegrama ao
Sport, a oportunidade só surgiu por acaso,num churrasco, semana passada. Os irmãos
Menezes encontraram o diretor de Futebol do clube, Fernando Lima. No meio da
conversa surgiu o assunto. Fernando não perdeu tempo e confiscou o documento
para o museu rubro-negro. "Vamos fazer uma grande homenagem a esta família
para agradecer a doação", avisou o dirigente.
AZAR - Mais do que incompetência dos dirigentes rubro-negros
da época, o desinteresse por Pelé parece ter sido pura falta de sorte.
"Ninguém tem bola de cristal. Naquele tempo, o intercâmbio entre os clubes
era muito pequeno. Não existia televisão transmitindo os jogos ao vivo como
hoje. Ninguém poderia imaginar que um garoto desconhecido poderia se tornar o
que se tornou", argumentou Rômulo Menezes.
Fernando Lima, que hoje é um dos responsáveis pelas
contratações do Sport, também absolve Rosemblit e Adelmar Costa Carvalho,
presidente do clube em 57, de qualquer culpa. "Eles não poderiam prever o
futuro". Mas Modesto Roma, presidente do Santos na ocasião, já previa o
potencial de Pelé. Tanto é que a negociação seria por empréstimo e por apenas
quatro meses. A transação, do ponto de vista santista, era apenas para dar
experiência ao atleta, que naquele momento era reserva de Pagão.
Junto com Pelé, e até com mais destaque, o Peixe também
oferecia Ciro. Se na época do episódio ele era mais conhecido do que o Rei,
passou para história apenas como coadjuvante. A reportagem do DIARIO passou os
últimos quatro dias tentando localizá-lo e não encontrou nenhuma pista.
Enquanto Ciro mergulhava no anonimato, Pelé começava a
ganhar projeção nacional. A convocação para a Seleção Brasileira não demorou e,
sete meses depois, conquistava a Copa do Mundo. Estava iniciada a trajetória
que o levaria ao título de Atleta do Século.
DESTINO - Mas será que a história seria a mesma se o Sport
resolvesse ficar com o camisa 10 ? "Isso ninguém jamais vai saber",
responde Romildo Menezes. Muito provavelmente, Pelé não seria convocado para a
Seleção campeã mundial na Suécia. Talvez a Seleção nem fosse campeã. E se ele
fosseconvocado, o Rei iria atuar ao lado de Vavá que, esse sim, jogou no
rubro-negro pernambucano.
Agora, para o Sport as coisas poderiam mudar muito. Talvez o
Leão fosse campeão estadual, acrescentando mais uma estrela as suas conquistas
e, de quebra, tirando o título de supercampeão, em 57, do rival Santa Cruz.
Chato seria para os torcedores dos times adversários terem que aguentar os
rubro-negros se gabando do fato do Rei do Futebol já ter vestido o manto
rubro-negro.
terça-feira, 3 de julho de 2012
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