Aprendi recentemente no banco da faculdade, que no jornalismo, quando estamos numa entrevista, autoridade é a fonte. Autoridade no sentido de estar apta a falar sobre determinado assunto com propriedade, cabendo ao jornalista o papel de extrair o máximo daquele especialista, já que este detém o conhecimento do tema solicitado. Muito diferente do significado que o senso comum leva ao associar autoridade a pessoas que possuem poder de intervenção física, imaginada na figura do policial, advogado, juiz ou político.
A professora Amanda Gurgel, fenômeno de acessos do youtube com mais de 120 mil visitas, mostrou no seu discurso indignado na Assembléia Legislativa do Rio Grande do Norte essa inversão de sentido de quem é realmente autoridade ao relatar a situação da educação no estado. “Alunos entram na sala de aula com carteiras na cabeça, dividem merenda. Eu sei porque eu estou lá todos os dias e falo isso com propriedade até mais que estudiosos ou políticos”.
Professora passa a ser fonte/autoridade por meio da mídia
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(Foto:Fabio Cortez/DN) |
Depois do conhecimento do vídeo Brasil afora, Amanda Gurgel continua seu repertório de sinceridades, agora nas entrevistas. Como autêntica autoridade no assunto, ela falou aos jornais da capital o que sentiu na hora de subir a bancada. “Apenas fui pegando os discursos dos políticos e fui refutando um a um para construir minha fala, disse. Amanda falou também que muitas pessoas que se deparam com certas “autoridades” têm receio de falar verdades, e por isso o segredo para desenvoltura foi não ter medo deles.
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(Foto:Fabio Cortez/DN) |
A professora acha que seu lugar não é na mídia e não entende a repercussão do vídeo. “Não entendo tanta repercussão, já que não falei nenhuma novidade”. Ela disse ainda que não pretende se manter famosa, mas que pode aproveitar a situação atual para brigar por melhores condições de trabalho. “Eu não quero subir na vida dessa forma, sou a mesma que pega três ônibus e não acho isso engraçado”.
Ela foi citada por Gilberto Gil, Zélia Duncan, Marcelo Tas, Programas do Ratinho, Faustão e Rádio CBN.
Histórico
Amanda Gurgel é formada em Letras pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), tem na participação do Centro Acadêmico do curso e depois no Diretório Central dos Estudantes da universidade o início da veia da luta social. Na UFRN ensinou no cursinho do DCE, onde acreditou no seu papel de professora ao ajudar alunos esforçados. Mas assim que formou e entrou no mercado de trabalho ficou desmotivada ao ver a realidade cruel dos baixos salários, falta de condições de trabalho e analfabetismo dos alunos.
Hoje, Amanda Gurgel é filiada ao PSTU e diz não ter pretensões políticas.
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