segunda-feira, 2 de maio de 2011

Pós Semana Santa


 
Ambos têm suas atividades ligadas ao automobilismo.Mas nenhum exerce a função como protagonista de ação com os veículos. Batista Pereira (44) é guardador de carros e Túlio Correia (37) agenda corridas de Buggy a turistas por uma empresa de serviço especializado. O trabalho dos dois pais de família é realizado em Ponta Negra, zona Sul de Natal.

Mas as coincidências param por aí, principalmente quando é referido o quesito religiosidade. Passado uma semana da páscoa, esses dois cidadãos divergem em suas práticas. Para Batista Pereira nada mudou. Ele não acredita muito em coisas que fogem o plano da terra e duvida até da existência de Deus, motivado pela vida que vive. “Se Deus existisse mesmo eu era um barão”. Perguntado sobre Jesus Cristo e a sua crucificação em nome dos homens, ele pondera. “Ele não existe como falam existir porque poderia nos salvar de várias coisas, mas sei que foi um homem muito bom que se colocou na cruz para salvar outras pessoas”, disse. 
Batista Pereira nota semelhança de comportamento de Jesus Cristo com alguns homens da Terra, o que segundo ele, em vez disso ser um sinal do poder do crucificado, é apenas uma humanização do Jesus que muitos veneram. “Eu sei que no meio de tanta maldade existem pessoas boas, mas isso não quer dizer que isso seja um poder lá de cima para fazer homens iguais a Jesus. Isso é prova que Jesus foi de carne e osso como a gente e que não tem essa de poder do além”, opina.

Batista Pereira entende o significado da páscoa como a crucificação de Jesus. Porém respeita quem o segue piamente. “Não comemoro muita coisa, para mim é mais um feriado, só que também não condeno ninguém, cada um tem sua crença né?”.

Já Túlio Correia é um homem que se considera religioso, embora concorde que deveria ser mais praticante de seu catolicismo. Raramente vai à igreja e se restringe as orações diárias antes de dormir. Na semana da páscoa, comeu só carne branca, comeu ovo de páscoa e tomou muito vinho. Rezou bastante, agradeceu pela vida prometeu ser uma boa pessoa.

Depois da data religiosa ele garante que vem mantendo os princípios de Cristo. “Não sei se é porque tá muito recente, mas to conseguindo ser um bom companheiro em casa e gentil com as pessoas de fora”, relatou. Só nota também que as pessoas que convive não fazem o mesmo. “Demorou nada depois da páscoa, as pessoas voltaram a ser grossas, mal-humoradas e a fazer maldade com as outras”, testemunhou.  

Túlio admite que suas boas ações não duram o ano todo. “É difícil demais, tem muita gente ruim no mundo, a gente agüenta até um certo limite, depois não dá”, disse. Assim ele mais se muda para se sentir bem e em paz consigo mesmo do que ter uma visão mais ampla do que seja o amor de Cristo pelas pessoas ao querer mudá-las ao seu redor com pequenas atitudes.

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